quinta-feira, 30 de julho de 2009

Não é a mamãe!

Homenagem aos pais, crônica minha publicada no site uaitemdetudo.com.br

Não é a mamãe! (escrita em 29/07/2009)



Quem já não ouviu aquele pequeno dinossauro de um seriado norte americano dizendo “- Não é a mamãe!” enquanto batia com uma panela na cabeça de seu pai dinossauro? E não é a mamãe mesmo! É o papai que será homenageado no domingo dia 09 de agosto.

Homenagem mais que justa ao homem que tanta segurança nos deu em nossa infância, protegendo-nos dos monstros de nossos pesadelos, acolhendo-nos em seu colo quando precisamos e nos ensinado a enfrentar as dificuldades da vida.

Foi ele, sim, quem nos ensinou a andar de bicicleta e nos fez levantar depois do tombo e do joelho machucado insistindo para que continuássemos a brincar. Ele, que nunca deixou que nos entregássemos às dificuldades da vida mostrando que o tombo apenas nos ensina a cair e que só cai quem está vivendo, cai porque está de pé lutando pela vida. Nos ensinou todos os segredos para levantarmos e sempre esteve presente nos estendendo a mão nos momentos mais difíceis.

Que mão gostosa, cheia de amor, carinho e muita determinação! Cheia de força e carregada de exemplos. Sim, foi ele, sempre, nosso exemplo de conduta, honestidade e força.

E hoje, mesmo longe, continua a torcer por nós, mesmo em silêncio, mesmo ausente, está sempre ao nosso lado.

Agora vemos aquele gigante envelhecendo, ele já não é tão grande, sua voz já não nos assusta e nosso amor por ele só cresce. Cresce quando temos nossos filhos e lembramos de tudo o que fez por nós, cresce quando olhamos sua fragilidade senil e percebemos que nosso pai-herói envelhece e agora precisa de nossas mãos cheias de amor e carinho para afagar-lhe os cabelos brancos e beijar-lhe a fronte enrugada. Agora ele só quer um pouquinho da atenção que nos dedicou por toda a vida. Quer os netos com sua alegria infantil pulando pela casa e escutando as histórias que tem para contar.

Às vezes ficamos enciumados quando nossos filhos querem tanto ficar com o avô, não entendemos o motivo e achamos que é porque fazem todas as vontades de nossas crianças. A verdade, no entanto é que os netos querem o avô porque avô é pai duas vezes, é aquele pai mais permissivo que mesmo não fazendo tantas estripulias como seus próprios pais, são capazes de contar histórias incríveis e mostrar o quanto seus pais foram tão crianças como eles são agora. E, para nós, nossos pais são, agora, tão criança como nossos filhos e isso nos mostra que aquela criança que temos adormecida dentro de nós irá, um dia, acordar e mostrar toda sua vivacidade. E seremos nós, então, a buscar o carinho dos filhos e o amor dos netos sabendo que o ciclo se completa e que nossa missão se cumpriu.
É por isso e por tanta coisa mais que agradecemos a você, pai. Agradecemos pela paciência que tanto teve, agradecemos por esquecer as malcriações que fizemos durante nossa adolescência, por todos os conselhos, por todas as noites mal dormidas, por tudo que tivemos, pelas oportunidades que nos ofereceu, pelas broncas e pelas brincadeiras. Agradecemos por sempre acreditarem em nós e nos ensinar a cair e levantar, a lutar sempre por nossos sonhos e a nunca desistir. E, agradecemos, principalmente, por nos amar incondicionalmente.

Deixo, agora, o Poema “Ilusões da Vida”, de Francisco Otaviano, que meu pai, um dia, escreveu em meu diário:


Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu,
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem – não foi homem,
Só passou pela vida – não viveu.

Um comentário:

  1. Minha cara menina crescida, de onde estiver seu pai estará com o pensamento voltado para você, seus filhos, irmãos e sobrinhos. Sentir-se-a recompensado pelo amor que lhes dedicou e orgulhoso pelo legado que foi compreendido,introjetado e transmitido aos seus descendentes.
    Marisa

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