Ontem terminei meu dia ganhando um presente da sininho. Acho que todos sabem que ela adora me presentear. Dizem que o gato sempre traz pequenas lembrancinhas para as pessoas que consideram seu dono e a quem mais amam e, com toda certeza, para a Sininho esta pessoa sou eu (para os que não sabem a Sininho é nossa gatinha vira-lata que foi adotada em março de 2008). Na verdade acho que os gatos não tem donos, eles é que são os donos de seus adoráveis Seres Humanos. Bom, seja lá como for ela adora me presentear com ratinhos vivos, gambazinhos filhotes e aranhas (as maiores que ela acha). Eu já estou tão acostumada que deixer de temer estes bichinhos asquerosos e já tenho técnicas para pegar os gambazinhos vivos e devolvê-los ao mato, pegar os camundongos as vezes vivos e as vezes mortos e dar-lhes o devido destinos e matar as aranhas (estas não devolvo vivas pois em geral ela me traz as armadeiras que pulam para atacar e são muito agressivas, os ambientalistas que me desculpem, eu as respeito no ambiente delas mas se pegam carona com minha gata - mesmo que obrigadas - e invadem meu ambiente......). Bom, voltando ao presentinho que recebi ontem. Eu saí de minha sala e, saltitante e alegre, pisei na varanda indo em direção à edícula para pegar uma caixa e escolher um presente para a professora de Inglês do Gabriel, ao voltar, ainda saltitante e cantarolando uma música brega qualquer, me deparei com a Sininho sentadinha na porta da varanda e com algo multicolorido ao seu lado. Curiosa, como sempre sou, cheguei mais perto para afagar a Sininho e olhar o que era aquilo que haviam deixado jogado na frente da porta (uma meia das crianças, talvez, ou um pedaço de pano, ou algum brinquedo espalhado, a curiosidade me mata!) Nada do que pensei, era uma pequena, linda e nada adorável cobra. O pior é que a Sininho adora me ver pulando e gritando e por isso sempre traz os presentinhos vivos. No entanto, ela não contava com o meu pavor de cobras vivas, répteis asquerosos, perigosos e traiçoeiros (apesar de muito bonitos) e, ao invés de saltitar apavorada e dar pequenos gritos a cada salto (parecendo um musical cômico) eu dei dois passos para tráz e, por segundos, achei que não era verdade, que não era uma cobra e, com o coração acelerado e sentindo o sangue sumir de minhas veias e artérias dei um passo para frente e voltei a olhar aquele amontoado colorido, o meu medo se confirmou, era realmente uma cobra. Pensei em jogar a caixa que estava em minha mão sobre a cobra (ela era pequena, uns vinte ou trinta centímetros apenas) mas desisti porque ela poderia não morrer e ainda correr e se esconder. Olhei para dentro de casa e avistei meu salvador, era ele ou ninguém mais poderia fazer alguma coisa! O René estava sentado à mesa falando ao telefone. Gritei, ou ao menos tentei gritar, senti que a voz não queria sair, o som que saiu raspou por toda a minha garganta como se carregasse areia com ele e acabou, ao invés de ser um grito desesperado, sendo apenas uma elevação em minha voz (sabe aqueles sonhos em que tentamos gritar e não conseguimos e aquilo fica entalado e machucando a garganta? Pois é, algo semelhante mas que saiu, graças a Deus!). Ele desligou o telefone e veio ao meu encontro, pegou uma pá (a que usamos para catar o cocô dos cachorros, eca!!! Que morte horrível, decaptada com a pá de cocô.) e primeiro a segurou pelo corpo (com a pá, lógico) porque não conseguiu acertar a cabeça, soltou a coitadinha um pouco e este foi o momento em que ela tentou dar o bote, e logo a espremeu no pescoço (cobra tem pescoço?) separando a cabeça do corpo. Descobri mais uma utilidade para marido.
A cobra morta foi recolhida e colocada em uma vasilha vazia de margarina (para verem como ela era grande!) e, pasmem, a boca continuou abrindo e fechando num espasmo involuntário por cerca de dez minutos e depois de uns quinze minutos o corpo passou a ser mexer sozinho num balé sinuoso e lento. As crianças até disseram que parecia que a cabeça iria crescer novamente e o engraçadinho do René falou que era uma Hidra de Lerna e que nasceriam duas cabeças no lugar de uma só. Bom, era uma cobra coral e ao que tudo indica era falsa (pelos anéis que não circundavam todo o corpo interrompendo-se no abdomem) mas em todos os sites que visitamos diziam que a coral é a cobra que não segue os padrões para se saber se é venenosa ou não pois sempre tem a cabeça arredondada e nem sempre a cauda da venenosa se afina bruscamente, muitas vezes a venenosa parece não ser venenosa, exceto pelos anéis que, na venenosa, circundam todo o corpo. Bom, mesmo sendo venenosa não é agressiva apesar de ser a mais fatal. Pelo jeito a nossa era mesmo falsa.
Chega de blá, blá, blá, olhem a danadinha no pote de margarina:
Rosana, ao descer a noite para pegar água na cozinha me lembrei de você! Desci de chinelo e acendi as luzes para ter certeza de que nossa Hidra de Lerna não havia ressucitado com duas cabeças e que eu não iria pisar nela.kkkk
Consequência desta história ( e não vale rir pois é a mais pura e literal verdade!): A cobra perdeu a cabeça por minha causa.
Bjs a todos.

Ana, vc. mora no meio do mato? Eu hein...é cobra, aranha, mosca tsé-tsé, rato. O menos pior por aí deve ser uma baratinha ou um besouro.
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